Surtei na quarentena

Quero aproveitar esse espaço para preencher o que faltou na minha Live realizada dia 10/07, falar sobre saúde mental em tempos de Corona Virus. Muitos de nós durante esse distanciamento social percebemos que alguns sintomas de ansiedade e até mesmo depressão começaram a aparecer. Mas por será que isso acontece? A pergunta correta é: Quanto tempo tivemos para parar e pensar em nós? Nossos sentimentos? O que nos aflige? Quase nenhum certo? Agora, nessa quarentena temos esse tempo para trazer a superfície todos os nossos medos e angústias que foram tapados por compromissos como trabalho, rolês, namoro, entre outros. Isso demonstra que pouco damos a importância de ouvir a nós mesmos, ao que o corpo e principalmente o que a mente está querendo nos dizer. É como se fosse uma ferida pequena, que está lá, mas se focalizarmos em outras atratividades não vai doer, pode ser até que doa, mas não tanto, e que quando paramos tudo, percebemos e até mesmo nos incomoda.


A quarentena é a interrupção das atratividades e as feridas são os traumas, mágoas ou medos que estão doendo e incomodando. Podemos prosseguir fazendo essa analogia dizendo que a ferida pode ser pequena, mas por falta de cuidados pode vir a aumentar, se tornando algo mais grave. Por um outro lado, pensamos que a ferida é algo muito grande como uma doença terminal, mas não é. É só a preocupação demasiada que faz pensar que ela é mortal e sofremos por uma realidade falsa. Ok, mas como isso acontece na mente? Cada ser humano tem sua a história, que vem sendo construída ao longo do tempo, durante as experiências da vida criamos “regras” que aplicamos a tudo e a todos, com o objetivo de proteger de algo que não foi bom ter vivido.

Essas “regras” enraizadas chamamos na Teoria Cognitiva-Comportamental de Crenças. Elas funcionam por um tempo, te protegendo de algumas situações que te trariam experiências desconfortáveis. Porém, as crenças enraizadas nos trazem também pensamentos disfuncionais, deixando de viver experiências boas também. Pensamentos disfuncionais são pensamentos que provocam sensações e ações que impactam no seu comportamento do dia-a-dia trazendo assim, o sofrimento para o indivíduo.

Um exemplo meramente ilustrativo: Uma pessoa que não consegue dizer não, se sobrecarrega, não tem tempo para si e se desgasta muito tentando agradar as pessoas a sua volta. A crença que ela criou é “Se eu não agradar a todos, então não serei amada“. Para essa pessoa, talvez o fato de não ser amada é um medo tão grande que, se desgastar em agradar os outros não é nada comparado ao sofrimento de possivelmente não ser amada. Uma hipótese de uma pessoa que tem medo de não ser amada é, por exemplo, por não ter muitos amigos na escola, ou sentia-se negligenciada emocionalmente pelos pais ou por alguém importante para ela e que isso foi uma experiência tão dolorosa que a fez criar estratégias de defesa.

*Reforçando, isso é apenas um exemplo e não uma regra, cada um vivencia, experimenta a vida e cria suas experiências diferentemente*. Vamos colocar essa pessoa em quarentena, onde está longe de tudo e todos e começa a perceber que tem muito tempo para si e esse sentimento de possivelmente não ser amada começa a aparecer todos os dias e talvez até comece a compreender que não há planos para ela, não há uma expectativa de sua própria vida, por que se preocupou tanto em agradar outras pessoas, que esqueceu de si, seus projetos, planos. E assim começa a provocar pensamentos disfuncionais e esses pensamentos trazem também sensações desconfortáveis manifestando a ansiedade, depressão, entre outras disfunções emocionais. Agora respire e não pire! Vamos aproveitar a quarentena e falar sobre isso.

Quais são as feridas que apareceram durante essa quarentena? Como você as percebe?

Lição de casa: Fale com amigos, pessoas com quem você confia, mas se possível procure ajuda profissional. Mindfulness, pratique isso em casa, garanto que vai te ajudar muito. Um abraço virtual.

Assista a live

A REDESS não é responsável pela opinião d@ autor/@. Defendemos a liberdade de ideias e expressão a fim de gerar análises críticas e expansão do conhecimento, sempre com respeito aos nossos valores e diretrizes e dentro da ótica legal.”

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