Por que os Estados Unidos (ainda) são a mais sólida democracia do mundo.

por Bernardo Monteiro, graduado e pós graduado em Relações Internacionais, especialista em política, atua como analista político, palestrante e professor de temas voltados ao conhecimento e divulgação política. Colunista semanal aqui da REDESS


Em 2020 muita coisa foi novidade no mundo da política, mas pouca coisa foi tão certeira quanto a resposta dada para a mesma pergunta: quando será de fato considerado finalizado o processo eleitoral norte americano? A minha e de muitos outros analistas políticos foi a mesma, dia 20 de Janeiro de 2021, mais especificamente depois da posse oficial.

Lendo esse primeiro parágrafo ao menos repousa a suspeita de que a democracia mais usada pelo mundo como exemplo, estaria em crise. Mas qualquer sintoma ou ruído nas eleições presidenciais de 2020 foram por terra, e por mais paradoxal e incrível que possa parecer, isso aconteceu exatamente porque a democracia dos Estados Unidos ainda é a mais sólida do mundo.

Foi fundada em 4 de Julho de 1776 (essa é a data oficial, mas historicamente os fatos geradores ocorreram depois disso) e segue em funcionamento praticamente igual até os dias de hoje. Com algumas pequenas alterações, mas nunca uma mudança da forma de governo, a defesa do que é o símbolo maior para os estadunidenses é algo praticamente inabalável, sua democracia. Acredito que até mesmo o cidadão mais descontente com qualquer governante, jamais abriria mão da democracia (a não ser que ele não saiba disso).

Após 4 anos de administração de Donald Trump, quem diria que os últimos meses, na verdade as 3 últimas semanas, seriam as mais tensas de toda a história política do país. Insurgência organizadas, inflamadas e apoiadas pelo presidente até então, causaram uma invasão hollywoodiana ao Capitólio – sede do poder Legislativo (câmara e senado) – resultando em cerca de 5 mortes e alguns feridos. As imagens são simplesmente estarrecedoras, bandeiras favoráveis ao período e grupo de escravistas, símbolos nazistas, roupas e máscaras fascistas, tomada de cadeiras e gabinetes dos chamados opositores, inimigos da nação. Algo digno de um ótimo documentário, mas que foi real e chocante e que agora segue um rumo de investigação com um enredo para algumas boas temporadas de uma série na Netlfix.

Porém algo maior, intangível, simbólico e ao que parece muito bem protegido, ressurgiu mais forte e toda as cenas acima descritas funcionaram como um elixir de força para a manutenção da ordem democrática. É notado que o símbolo do país é uma águia real, nativa das mais altas montanhas do meio oeste americano, mas depois de tudo, parece que a tal águia aprendeu algo com a tal fénix, que ressurge das cinzas.

Joe Biden venceu de forma mais do que segura e democrática as eleições, e se parecia que haveria uma “afronta” ao que funciona praticamente igual a quase 250 anos, o que aconteceu foi exatamente o contrário. Em uma demonstração de como funciona o verdadeiro espírito democrático, lados opostos, partidos diferentes, ex-lideranças e até mesmo os antes apoiadores de Trump, se juntaram na defesa do que ninguém pode afrontar, a democracia.

A união política será tarefa menos árdua e isso é mais uma grande qualidade e demonstração de força que a experiente forma de governo norte americana dá ao mundo, enquanto políticos estão de lados opostos defendendo visões de mundo diferentes, mas enquanto cidadãos estão todos do mesmo lado. A tarefa mais difícil será convencer o povo de que é preciso união, talvez Joe Biden não seja o melhor para essa tarefa, por isso suas escolhas até então tem sido certeiras. Ter Kamala Harris como a primeira vice presidente mulher, afro asiática, é uma mensagem e tanto.

Para mim a principal regra que rege o sistema político dos Estados Unidos e que deveria reger o nosso por aqui é: não afronte a democracia e a constituição. Para uns vivemos um mundo que caminha para uma transição (se pacífica ou não só o tempo dirá) de liderança global, onde a China retomará seu lugar como grande império que já foi. Na minha opinião não temos mais espaço no mundo para hegemonias ou troca delas, esse século poderá ser marcado por algo híbrido, onde existem grupos hegemônicos e que se balanceiam entre si no poder mundial, e sem dúvidas os Estados Unidos estarão ainda por muito tempo dentre esses.

Se vivos fossem, os chamados pais fundadores¹ (ao menos os principais) da democracia e dos Estados Unidos da América, signatários da Constituição que é a mesma desde 1778, estariam orgulhosos de sua grandiosa obra. É inegável que existem problemas e que nem sempre tudo caminhou ou caminhará de forma brilhante, um país com inúmeros problemas, mas com uma qualidade invejável, a solidez de sua democracia e a força que ela demonstra quando ameaçada e algo no mínimo para ser copiado.

Abraços.

¹ John Adams, Samuel Adams, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton, Patrick Henry, Thomas Jefferson, James Madison, John Marshall, George Mason e George Washington.,

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