Cancelamento Estranho

por Edilson Vital, empresário, formado em Marketing, Pernambucano e apaixonado pelo Santa Cruz

Na sociedade contemporânea têm se erigido comportamentos no mínimo estranhos.
De tempos em tempos temos lidado com o “novo”, principalmente na área relacional que, de alguma forma, não tem sido de fato novo, mas potencializados por grupos influentes no meio dos jovens e até mesmo das crianças, que também têm sido alvo das estranhezas culturais.
Entre tais comportamentos, menciono um hábito um tanto bisonho que vem ocorrendo nas redes sociais, o chamado “cancelamento”, o rechaço dos “diferentes” que nos são semelhantes.

Existem na vida contratempos que nos forçam, inevitavelmente, a fazer alguns cancelamentos, seja de algum serviço ou objeto/artigo que pagamos por eles.
Porém, o que nos causa estranheza, em tempos recentes, se trata de disposições ao cancelamento voluntário e gratuito de pessoas por apresentarem divergências de pensamentos e preferências, como se houvesse legitimidade em suprimir a individualidade livre.

Jesus Cristo, vivo entre nós, foi alvo de muita perseguição por se dispor a lutar contra a cultura de cancelamento de sua época.
Enquanto o povo agia por conveniência ao segregar tudo aquilo que não era homem, influente e poderoso, Jesus trazia para sua companhia os desprezados e marginalizados pela sociedade. Mulheres, crianças, velhos, deficientes de qualquer natureza, que sofriam e eram tidos como inúteis por não se encaixarem nas medidas da “tradição”. Vale destacar aqui a passagem em que Cristo encontra um cego de nascença no meio do caminho e é questionado por seus discípulos com a seguinte pergunta: “Mestre quem pecou, ele ou seus Pais?” E logo Ele responde: “Nem ele, nem seus pais. Mas, para que a glória do Pai se manifestasse na vida dele. “Ou seja, mesmo os discípulos que estavam a todo tempo com o mestre ouvindo seus ensinamentos não foram capazes de se despir do preconceito que havia naquela cultura.

De fato é visível entre nós, seres humanos, uma disposição excludente e um egoísmo brutal. Somos por natureza amantes de nós mesmos, incapazes de ceder ao diferente, estranhos ao contraditório e Narcisos implacáveis.

Infelizmente, existem seres que não se adaptam a um convívio em sociedade, mesmo sendo em essência seres sociais.
Trata-se aqui de um paradoxo possível. Criados fomos para o convívio, para a troca, para o diálogo, e que exigirá que nós tratemos nosso semelhante, que em muitos casos pensará de forma diferente, com amor e despidos do orgulho que nos acompanha desde o momento em que acordamos.

Sejamos sinceros, o cancelamento não é opção, é covardia. Significa a incapacidade de conviver com o contraditório e a incapacidade de dialogar com a divergência.

“A REDESS não é responsável pela opinião d@ autor/@. Defendemos a liberdade de ideias e expressão a fim de gerar análises críticas e expansão do conhecimento, sempre com respeito aos nossos valores e diretrizes e dentro da ótica legal.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s